O governo federal prorrogou para 1º de julho
deste ano o prazo de implantaĂ§Ă£o da carteira nacional de habilitaĂ§Ă£o eletrĂ´nica
(CNH-e) em todo o paĂs. A obrigatoriedade de emissĂ£o estava prevista para 1º de
fevereiro. AtĂ© a nova data, os departamentos de TrĂ¢nsito de todos os estados e
do Distrito Federal (Detrans) deverĂ£o disponibilizar o documento virtual.
Segundo o ministro das cidades, Alexandre
Baldy, a alteraĂ§Ă£o do prazo ocorreu porque as agĂªncias reguladoras de AviaĂ§Ă£o
Civil (Anac) e de Transportes Terrestres (ANTT) enfrentaram dificuldades de
implementar, junto Ă s companhias de aviaĂ§Ă£o, e de Ă´nibus o reconhecimento da
habilitaĂ§Ă£o eletrĂ´nica.
“Os usuĂ¡rios do transporte rodoviĂ¡rio
apresentavam seu documento digital, e nĂ£o havia ali a implementaĂ§Ă£o, pelas
companhias de transporte de passageiros rodoviĂ¡rios – assim como tambĂ©m as do
modal aéreo - de um sistema que poderia averiguar se aquela CNH digital era um
documento verĂdico, porque nĂ£o houve um diĂ¡logo por parte das agĂªncias
reguladoras com o ministĂ©rio”, afirmou Baldy, em entrevista Ă AgĂªncia Brasil.
AdoĂ§Ă£o parcial
Segundo o Ministério das Cidades, até ontem
(29), trĂªs dias antes do prazo anteriormente estipulado, apenas 13 das 27
unidades da FederaĂ§Ă£o estavam emitindo o documento eletrĂ´nico: Acre, Alagoas,
Distrito Federal, EspĂrito Santo, GoiĂ¡s, MaranhĂ£o, Minas Gerais, Mato Grosso do
Sul, Pernambuco, RondĂ´nia, Rio Grande do Sul, Sergipe, Tocantins e Distrito
Federal.
Apesar desse quadro, o ministro reforçou que
a emissĂ£o nos estados nĂ£o foi o motivo da prorrogaĂ§Ă£o do prazo, mas os
problemas das agĂªncias reguladoras em garantir que as linhas aĂ©reas e empresas
de Ă´nibus conseguissem aceitar a habilitaĂ§Ă£o como documento de identificaĂ§Ă£o no
momento de embarcar.
Anac
Consultada pela AgĂªncia Brasil, a AgĂªncia
Nacional de AviaĂ§Ă£o Civil confirmou que as companhias aĂ©reas ainda nĂ£o
conseguiram se ajustar Ă obrigaĂ§Ă£o. A Anac cobrou destas planos com medidas
para se adaptar Ă habilitaĂ§Ă£o virtual. As propostas ainda estĂ£o em anĂ¡lise
pelos tĂ©cnicos da instituiĂ§Ă£o.
A Anac informou, por meio de sua assessoria,
que, a despeito dessas dificuldades, nĂ£o vĂª esse problema como “a razĂ£o do
adiamento da implantaĂ§Ă£o do uso da CNH-e”. Isso porque nĂ£o tem “competĂªncia
legal para interferir nessa matĂ©ria, bem como o objetivo do documento nĂ£o estĂ¡
inserido no setor aĂ©reo”. A AgĂªncia Brasil entrou em contato com a
ANTT, mas nĂ£o obteve retorno atĂ© a publicaĂ§Ă£o desta reportagem.
CĂ³pia eletrĂ´nica
A carteira de habilitaĂ§Ă£o digital consiste em
uma cĂ³pia virtual da carteira impressa armazenada no smartphone. Para obter o
documento virtual, Ă© preciso baixar o aplicativo CNH-e, que estĂ¡ disponĂvel nas
plataformas Android, Apple ou Windows Store, cadastrar-se no portal de serviços
do Departamento Nacional de TrĂ¢nsito (Denatran), ir ao Detran onde a carteira
foi emitida para confirmar os dados, receber um cĂ³digo e efetivar o cadastro no
aplicativo.
O condutor que tiver certificado digital nĂ£o
precisa se dirigir ao Detran e pode completar o processo diretamente pela
internet. A emissĂ£o do certificado custa R$ 145 e tem duraĂ§Ă£o de um ano. JĂ¡ o
custo da carteira virtual serĂ¡ definido pelo Detran de cada estado. A CNH-e
serĂ¡ complementar, sem implicar o fim da carteira de motorista tradicional. NĂ£o
hĂ¡ previsĂ£o de substituiĂ§Ă£o total do documento impresso pelo eletrĂ´nico.
Facilidades
Segundo o Ministério das Cidades, a CNH-e
pode facilitar o dia a dia dos condutores. A carteira evita problemas como
perda e danificaĂ§Ă£o (como esquecer na calça e colocar para lavar, por exemplo)
e deve permitir no futuro a exportaĂ§Ă£o por diversos canais, servindo como um
documento autenticado. A expectativa do Ministério das Cidades é que
o documento virtual possa permitir outras funcionalidades, como o controle da
pontuaĂ§Ă£o decorrente de multas e monitoramento dos prazos de vencimento da
habilitaĂ§Ă£o.
TransiĂ§Ă£o lenta
No EspĂrito Santo, um dos estados que jĂ¡
adotaram o modelo eletrĂ´nico, um dos desafios da disseminaĂ§Ă£o do novo tipo de
documento Ă© a versĂ£o da carteira. Segundo o diretor de HabilitaĂ§Ă£o de VeĂculos
do Detran local, José Eduardo de Souza Oliveira, muitos motoristas iniciam o
procedimento, mas nĂ£o concluem porque hĂ¡ a exigĂªncia de um cĂ³digo eletrĂ´nico, o
QR code, sĂ³ disponĂvel nas novas carteiras, tiradas a partir de maio de 2017.
“Muitos ainda nĂ£o tĂªm o modelo da CNH. Isso
foi fator que contribuiu para ainda nĂ£o ter deslanchado muito. Como eles nĂ£o
tĂªm o modelo novo, preferem nĂ£o fazer uma segunda via”, explica Oliveira. Apesar disso, a procura pela CNH-e Ă© grande,
afirma. (AgĂªncia Brasil)
0 ComentĂ¡rios