“..É coisa de pobre...”

             
          
Ouvi em alto e bom tom no setor de ortopedia do hospital municipal de Imperatriz HMI, por ocasião da minha estada por lá, cumprindo também minha função de jornalista cidadão, ao discordar da presença de “vendedor, consultor e/ou representante” de laboratórios farmacêuticos ou de fabricante de produtos hospitalares, em horário de atendimento à comunidade que já sofre com as demoras para acessar e consultar o médico, via SUS. O que eu ouvi?  “vendedor é coisa de pobre, eu sou é representante” é, foi exatamente isso que ouvi depois de chamar de vendedor um “representante” ao questionar o porquê de sua presença em meio aos pacientes, que como sabemos, só recorre aquele setor em caso de urgência, já que se trata do SOCORRÂO.  Abri a discussão por acreditar ser impossível uma relação comercial entre o médico e o representante se considerar: 1º não me consta que seja o médico em horário de consulta quem defina quais medicamentos e/ou produtos hospitalares, que o hospital e/ou posto de saúde precise e, nem tão pouco negocie quantidade e valores; 2º pressuponho que essa seja atribuição da pasta administrativa. Frente à indagação, uma afirmação daqui, uma negativa dali o representante desistiu, pelo menos naquele momento de acessar o médico. Essa negociação personificada médico e representante acaba excluindo o objeto primeiro a causa do médico ali estar, o paciente, que após a longa espera e uma verdadeira procissão entre a necessidade, o encaminhamento e o atendimento, finalmente chega a sua hora seja em hospital, seja em posto de saúde e... Lá está bem vestido (a) ,  portando uma pasta volumosa e, passa sem fila direto ao médico, que diga-se de passagem ali está cumprindo uma carga horária, isto é, cumpriria se usasse o tempo para ouvir e analisar o/a paciente, que na maioria das vezes recebe a prescrição médica antes mesmo de terminar de dizer o que sente e, nos casos de retorno, um olhar rápido ao resultado do hemograma e/ou exame de imagem, sem uma possível palpagem. Seria esse o mecanismo de sondagem de administrador (a) para constatar as necessidades de hospitais e postos de saúde? Deixo claro que os profissionais aqui atingidos e/ou contemplados são dignos de seus respectivos trabalhos e, que só sugiro encontrar um momento oportuno que não infrinja os direitos de ambas as partes, em especial de pacientes por se tratar da tentativa de manutenção da saúde.

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